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Educomunicação: o que o Design tem a ver com isso?

De acordo com o Professor Ismar Soares, um dos principais representantes da Educomunicação no Brasil, este conceito era utilizado para identificar uma área chamada Educação para Comunicação, ou seja, a educação para formação do chamado senso crítico frente à mídia, especialmente a televisão. No entanto, com o passar dos anos alguns meios de comunicação foram se preocupando com a educação e vice-versa. Aliado a isso os meios de comunicação foram se modificando devido à cultura digital. A compreensão desses meios através de atividades de conhecimento numa perspectiva de prática da cidadania se dá o nome de Educomunicação.

O que caracteriza a Educomunicação é o processo, dessa forma, não é necessariamente o meio de comunicação e suas tecnologias (rádio, internet, vídeos, entre outros).  O que se obtém então é a gestão democrática dos processos, com redução do bullying e violência, expressão humana e melhor aprendizado. A intenção é que os alunos/sujeitos criem sua visão de mundo e façam disso algo legitimo afirma Ismar no vídeo gravado pela Univesp TV.

 

Mas afinal o que a Educomunicação tem a ver com o Design?

O Design é uma atividade humana intencional e faz a interface entre o sujeito e a atividade que esse realiza. Como interface o Design tem em sua tessitura o social que tem tido destaque à medida que a sociedade tem se tornado mais complexa. Como a Educomunicação envolve atividades práticas de cidadania junto à sociedade e instituições de ensino-aprendizagem ligadas às tecnologias e seus processos o Design não pode e nem deve ficar por fora.

As atividades de Design envolvem o projeto e estratégias de comunicação que podem oferecer recursos imprescindíveis a Educomunicação. Por exemplo, o uso das disciplinas do Design como: Design de Som nas oficinas de rádio, Design Digital nas oficinas de internet e redes sociais, Produção Gráfica e Diagramação nas oficinas de jornal e de produção de textos verbais e não verbais, Ilustração nas oficinas de grafite e desenho, a Fotografia e por aí vai. Além disso, a Educomunicação dá conta da gestão democrática do processo de educação e comunicação e nisso pode entrar a Gestão do Design também. Há vários outros processos que essas duas áreas dialogam, no entanto vamos a alguns exemplos disso.

O projeto biizu, oficinas de mídia popular, do Governo do Estado do Pará oferece junto à comunidade diversas atividades e há a preocupação com o Design nesse processo. Acesse o link aqui: Projeto biizu

O projeto viração que tem a missão de fomentar e divulgar processos e práticas de educomunicação entre jovens e educadores.  Acesse o link da organização aqui: Viração

Com esta breve explanação pretende-se atentar para as possibilidades da Educomunicação e do Design como práticas que conversam e podem juntas construir um presente melhor e mais social.

Não podemos esquecer que em maio deste ano acontece em Florianópolis o Colóquio Ibero-Americano e Catarinense de Educomunicação. Essa é uma ótima oportunidade para aprofundar seus conhecimentos nessa área e conversar com profissionais da Educomunicação. Confira mais sobre o evento pelo blog: Educom Floripa

 

Bibliografia:

Ismar Soares define o conceito de Educomunicação. Jornal e Educação. Disponível em: <http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/biblioteca/entrevistas/ismar-soares-define-o-conceito-de-educomunicacao&gt; Acesso em: 21 fev. 2014.

Pensamento Criativo: um método de Design na Educação para o Desenvolvimento Sustentável

O método Pensamento Criativo foi desenvolvido para o projeto Inovações na Educação para o Desenvolvimento Sustentável. Ele foi aplicado em uma escola pública em Florianópolis – SC que serviu como piloto. Nesse método o Design Thinking foi adaptado para a  construção de uma abordagem que possibilitasse a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e o uso de tecnologias analógicas e digitais. Para tanto no espaço escolar foi montada uma sala de criação digital e outra sala de prototipação. O Pensamento Criativo é classificado como um projeto de trabalho e tem como objetivo fazer com que os estudantes sejam os protagonistas de um processo criativo e inovador que os transforme em agentes do desenvolvimento sustentável.  Veja o vídeo e compreenda um pouco mais de como funciona o método do Pensamento Criativo.

O projeto é uma parceria da Fundação CERTI e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável de SC.

Qual abordagem utilizar ao se aplicar o Design na Educação brasileira?

Criança e Design by thiagoreginaldo
Criança e Design, a photo by thiagoreginaldo on Flickr.

Na área educacional existem diferentes abordagens e teorias que orientam o trabalho no espaço de ensino-aprendizagem, de maneira que, se deve estar ciente das possibilidades e individualidades de cada abordagem pedagógica e seus benefícios em diferentes contextos educacionais. No uso do Design na Educação surgem diversas dúvidas em quais estratégias pedagógicas pode estar ancorado o trabalho de Design e suas relações com a escola brasileira.

Uma das primeiras autoras a discutir sobre as abordagens de ensino-aprendizagem no Brasil foi Maria Mizukami em 1986. De acordo com a autora existem cinco abordagens principais: tradicional, comportamentalista, humanista, cognitivista (interacionista) e sociocultural. Cada abordagem, segundo ela, fornece diretrizes à ação docente e cada educador se apropria delas de forma individual. No entanto, ao longo dos tempos até os dias atuais essas abordagens foram sendo adaptadas e outras abordagens surgiram e complementaram tais teorias para poder atender as transformações socioeconômicas e culturais. Dentre essas novas teorias e abordagens que agregam valor aos estudos de Mizukami podem-se citar a teorias da Complexidade, Inter/Transdisciplinaridade, Multirreferencialidade, as Inovações na Educação, entre outras.

Na educação brasileira a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96) define a perspectiva sociocultural e histórica como modelo a ser utilizado pelos educadores. Dentre alguns autores basilares dessa teoria estão Vigotsky e Paulo Freire, e autores mais atuais como José Manuel Moran. Moran fala em uma educação inovadora com os seguintes eixos: o conhecimento integrador e inovador, o desenvolvimento da autoestima/autoconhecimento, a formação do estudante-empreendedor e a construção do estudante-cidadão. As ideias do autor se adequam bem a proposta do Design na Educação, pois, despertam a inovação social e a atitude empreendedora no aluno e na comunidade.

Depois de compreender um pouco sobre as abordagens pedagógicas é preciso agora saber quais dessas abordagens podem potencializar o Design na Educação. Um trabalho bastante interessante é o de Antônio Fontoura (2002) que propõe um modelo de Design para a educação brasileira chamado de EdaDe (Educação de crianças e jovens através do Design). Ele se baseia na pedagogia da ação e no construtivismo como base educacional para a proposta e a interdisciplinaridade como atitude assumida da ação educativa. Assim, o autor define que “as atividades de design, tendo em vista a sua natureza, são boas oportunidades para se criar e promover as condições necessárias para a construção ativa de conhecimentos na sala de aula seja por meio da manipulação dos objetos ou pela interação da criança com o ambiente” (p.42). Fontoura cita também em sua teoria as ideias de Ausebel e o aprendizado significativo, de Gardner e os conhecimentos intuitivos, o construtivismo de Papert, a realidade social e cultural de Paulo Freire e outros muitos autores. Ou seja, apesar da veia construtivista do EdaDe outras abordagens foram utilizadas e apropriadas para justificar sua teoria e as possibilidades do Design. Todavia, o modelo teórico de Fontoura apesar de ter sido feito para a realidade brasileira se norteia em como o Design é utilizado fora do Brasil com experiências de 2002, a época do estudo. Para tanto são necessários outros estudos do Design na Educação de acordo com a realidade brasileira de modo mais profundo, uma vez que, o uso do Design na Educação no Brasil é recente. Além disso, torna-se precioso o acompanhamento da aplicação do Design na Educação através de estudos de campo práticos e reais.

O nosso país é plural em sua cultura e diversidade e o Design deve ser pensado nesse contexto durante as atividades escolares. Toda a comunidade (professores, alunos, direção, pais, moradores e sociedade em geral) precisa compor a escola e ser responsável em suas atividades. A escola, como espaço de ensino-aprendizagem, não pode estar limitada somente a sala de aula. Precisa estar fora da sala de aula também, no cotidiano do aluno e cidadão. Consequentemente surgem conceitos preciosos que se adequam a qualquer abordagem que anseie trabalhar o Design na Educação: colaboração, co-criação, empatia, criatividade, inovação social, experimentação, entre outros.

As abordagens educacionais como visto até aqui servem como modelo e possibilidade para o educador trabalhar o Design. As abordagens construtivistas (interacionistas e sociais) e inovadoras apresentam grande potencial de contribuição para o Design na Educação baseado no protagonismo estudantil, inovação e criatividade no espaço escolar. As atitudes na escola de inter/transdisciplinaridade contribuem para o uso do Design e para o trabalho com projetos na educação. Entretanto, a discussão não para por aqui visto a necessidade de mais estudos e discussões nessa área.

Referências
FONTOURA, A. M. EdaDe: a educação de crianças e jovens através do design. Tese de doutorado. Engenharia de Produção. Florianópolis: 2002.
MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.
MORAN, José Manuel. A educação que Desejamos. 2. ed. São Paulo: Papirus, 2007.

Design na Educação: o Design no processo pedagógico

O desenvolvimento até à atualidade da área de Design aconteceu em um universo múltiplo, dinâmico e interativo, e dessa maneira, diferentes concepções surgiram sobre o que seja Design e sobre seu campo de atuação.  Logo, na área educativa não poderia ser diferente. O Design aparece como sinônimo de estética, arte e criatividade em atividades feitas digitalmente ou em sala de aula. No entanto, é preciso estar claro que as possibilidades do Design vão muito além do entendimento comum.

O termo Educação aplicado ao conceito do Design serve para especificar as diversas especialidades do Design compreendidas na configuração da Educação, assim surge, o Design Educacional ou o Design na Educação.  A atividade de Design na Educação envolve um produto/serviço educacional que precisa estar bem amparado por parâmetros e abordagens pedagógicas.  Sua aplicação pode acontecer a nível estratégico ou prático em processos comunicativos, de planejamento, na organização de ideias e na prototipação. Deve-se lembrar, contudo, de que toda a atividade de Design na Educação é intencional e que o produto/serviço ou estratégia resultante será formada pela experiência/conhecimento pedagógico que será incorporado ao processo.

Nosso blog irá citar ao longo das postagens algumas iniciativas de Design que vem sendo adotadas amplamente no sistema educativo desde a educação básica, superior até a profissionalizante. Compreender estas iniciativas e suas possibilidades de aplicação faz com que se desenvolva uma teoria de Design voltada para os processos educativos. Serão apresentadas práticas de Design na Educação no Brasil e em outros países, além de teorias educacionais e esclarecimentos sobre o que é Design.

Criatividade

Ilustração : Archan Nair.

 
Texto: Thiago Reginaldo (Educador, Designer e Gestor de TI).